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#Queermuseu – arte e teologia

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Sempre que emergem assuntos e situações “polêmicas” como a recente a respeito do “QueerMuseu” e o fechamento da exposição, tendo a ficar meio sem palavras porque tanta coisa é dita por tanta gente que é quase impossível lidar com tantas opiniões, posicionamentos, reflexões sem parecer simplista e abrir-se a mais um bombardeio de reações que pouco tem de tentativa de diálogo ou efetiva reflexão sobre todas as questões implicadas. Mas, por vários motivos, decidi que gostaria de dizer algo sobre isso, sem a pretensão de dar uma resposta a quem quer que seja e sem a pretensão de “resolver o caso”. São algumas ideias que me parecem pertinentes e nem gastem seu tempo tentando demonizar ou glorificar o que eu digo. Se ajudar tá; senão, deixa pra lá. Não tenho nada de definitivo a dizer sobre o assunto a não ser #reabreQueerMuseu e #godsavethequeer. Não quero falar sobre a relação entre a exposição e os movimentos sociais LGBT/Queer e suas possíveis des/conexões. Essa é uma grande e longa disc…

No meu aniversário

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Durante o dia de hoje recebi (e sigo recebendo) incontáveis mensagens de carinho, de afeto, de reconhecimento, de encorajamento, de motivação... Espero conseguir responder a todas (algumas pessoas disseram que não conseguiram postar na minha time line no Facebook e, por isso, recebi a maioria privadamente in box – melhor, pois assim não provoca o recalque). E como forma de agradecimento gostaria de fazer algumas reflexões breves. Vivemos tempos difíceis (e quando foi que não vivemos, não é mesmo?). Aquelas e aqueles que não tiveram o privilégio de contar com a segurança das instituições e suas falsas promessas de que um dia seriam boas o suficiente para que as poucas migalhas se transformassem em direitos perenes sempre souberam. Já aqueles que sempre se beneficiaram delas possivelmente não entendam e sigam esperando que as crises se resolvam por dentro dessas mesmas instituições e desses mesmos sistemas. Não há e não haverá saída fácil e tranquila. Não dependerá de um nome, de um pa…

Sobre as eleições e o futuro da nação

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Quem me acompanhou nas redes sociais viu meu envolvimento nas eleições municipais desse ano. Não consegui participar tão ativamente como gostaria da discussão interna do Partido das Trabalhadoras e dos Trabalhadores (quanto a programa e estratégias eleitorais) nem da campanha propriamente dita (de debates, conversas, diálogos nas ruas). Mas me envolvi como pude (inclusive contrariando algumas recomendações), pois entendo que é um processo importante para as cidades brasileiras e, no meu caso, especialmente para a cidade onde vivo e trabalho. Assumi esse compromisso com toda a liberdade e convicção com que tento levar a minha vida. Mas também com muita clareza e perspectiva crítica com relação aos processos eleitorais em geral e esse em particular. Durante esse período participei de conversas e planejamentos (especialmente no âmbito proporcional), falei com outras pessoas sobre as candidaturas que apoiei, divulguei e distribuí materiais impressos e digitais, contribuí financeiramente, a…

Peter Nash, Dr. Honoris Causa - meu agradecimento e minha homenagem!

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A primeira vez que eu vi o Peter Nash foi através da janela da cozinha de uma das alas de moradia do antigo “Prédio Velho”. Era meu primeiro semestre e ainda não estava habituado ao mundo da Escola Superior de Teologia, mas já me chamou a atenção um homem negro, com calças justas de corrida e cabelos com dreadlocks. Só depois descobri que era um novo professor, vindo dos Estados Unidos. Ao longo dos anos Peter se tornou uma das principais referências na minha formação teológica e também um grande amigo e companheiro. Meu primeiro contato com Peter em sala de aula foi no componente curricular “Introdução ao Antigo Testamento”. Acho que foi a primeira turma a ter aula com ele e a principal dificuldade era com o idioma. Peter tentava se comunicar em Português, mas raramente a turma o entendia – a situação melhorou nos anos seguintes, mas falar Português sem dúvida não é o traço mais forte de Peter. Lembro que durante a aula, diante da evidente incompreensão de estudantes, ele começava a r…

O Cu não tem nada a ver com o Cunha!

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A única coisa que nos salva A única coisa que nos une A única utopia possível É a utopia do cu

Gente! Vamos parar com essa coisa ridícula de associar “cu” com “cunha” em expressões como “vai tomar no CUnha”. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.


Nos últimos meses tenho escrito alguns textos breves refletindo sobre charges e representações que circulam nas redes sociais, tentando apontar para como reproduzimos e reforçamos, “quase sem pensar”, determinados padrões e sistemas de violência, particularmente no atual contexto de enfrentamento político vivido no Brasil. Falei sobre a cultura do estupro na representação de uma charge sobre o “caso Romero Jucá”, depois do “beijo entre Eduardo Cunha e Michel Temer”. Meu questionamento e minha indignação estão em como posicionamentos pretensamente libertadores e “politicamente corretos” estão carregados de sexismo, heterosexismo, machismo, homofobia e todos/as os/as seus/as parentes, achegados e relacionamentos (in)stáveis. E lá vamos n…

O sexo da política e a política do sexo!

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Valei-me nossa senhora dos movimentos e estudos feministas, de gênero e queer! Que tá difícil de lidar com a cultura da homofobia nos discursos pseudopolíticos dessa nação! Mas vamos lá! Há algumas semanas, após o crime de estupro perpetrado contra uma adolescente de 16 anos por mais de 30 homens circulou uma charge que retratava Michel Temer vestido de mulher “bela, recatada e do lar” questionando Romero Jucá representado como uma mulher com um vestido curto por ter dito e feitos coisas que não devia ter dito e feito. Então escrevi uma breve nota em 7 pontos refletindo sobre como esse tipo de representação perpetuava a cultura do estupro sendo questionada em todos os cantos – e aprovada em outros. A crítica política vinha revestida do (pior) heterossexismo que inferioriza mulheres e todas as pessoas que não se encaixam em seus padrões. Então o massacre na boate Pulse, em Orlando – EUA, provocou nova comoção mundial diante do assassinato de 50 pessoas, durante a realização de uma festa la…

Eu morri ontem em Orlando! Nós morremos ontem em Orlando!

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Eu morri ontem em Orlando Nós morremos ontem em Orlando Provavelmente não haja mais muito o que ser dito sobre o massacre ocorrido na Boate Pulse, em Orlando, nos Estados Unidos. E ainda assim muito teremos que falar sobre o massacre ocorrido na Boate Pulse, em Orlando, nos Estados Unidos. Eu morri ontem em Orlando! Não apenas porque me identifico como homem gay, mas porque compartilho a humanidade daqueles e daquelas que lá morreram, porque sou cristão e porque minha fé me ensina que quando alguém sofre todxs sofremos. Nós morremos ontem em Orlando! Não apenas aqueles e aquelas de nós que não preenchem os requisitos da norma heterocêntrica (incluindo pessoas auto identificadas como heterossexuais), a assim chamada comunidade/população LGBTIQ, mas todxs que fazem parte da criação de D*s, que são imagem e semelhança de D*s, pois foi essa imagem e semelhança que foi morta. 
E D*s morreu conosco! Ainda no sábado conversávamos sobre o significado de abominações no Levítico, os motivos da destruiç…