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Mostrando postagens de Março, 2009

Sou homem, sou mulher, sou o que quiser

Foi também minha companheira, amante
Que escreveu
Aquilo que a vida, a luta e o povo nos ensinaram
Do lado de baixo do equador
E um pouco acima também
- Cada um pode ser o que quiser!*

Não por capricho ou sem motivo
Mas para sobreviver e resistir
Por sabedoria
Por necessidade
Por força e coragem
Afinal, não é fácil
Ser o que quiser

Às vezes sou homem
Mas já fui mulher, eu sei!
Às vezes sou branco
Mas já pensaram que eu fosse negro
Às vezes sou gay
E é quando me faço mais homem
Às vezes sou doutor
Mas adoro aprender com o povo
Às vezes sou forte
Mas sinto falta de quem me proteja

Não é meu pênis,
- nem o pênis de outro homem -
Que me define
Não são meus títulos
- e trabalhei por eles -
Que dizem quem sou
Não são as bandeiras que carrego
- e são tantas -
Que resumem a minha luta
Nem meu nome e sobrenome
Embora tenha me acostumado com eles

Às vezes sou machista
Mas procuro ser feminista
Às vezes sou racista
Mas aprecio todas as cores
Às vezes sou classista
Mas defendo a luta socialista
Às vezes sou etnocêntrico
Mas me deixo adm…

Para aqueles e aquelas que sobrevivem no amor

Foi minha amante companheira
Que da sua sabedoria que brota
Do caminhar com o povo que sobrevive
Que recebi o ensinamento
- como quem recebe bálsamo para a ferida,
como quem recebe ácido em algodão doce –
“Amor, pra gente, é como pão pro povo
Quando a gente tem um pouco
A gente guarda no bolso
Pra ter depois”
- ou mais ou menos isso –
E assim é:
Uma nesga
Um naco
Uma migalha;
Um olhar
Um toque
Um beijo;
Um momento
Uma fugida
Um encontro;
Uma língua
Um membro
Uma mão, uma perna, um pescoço;
Um sussurro
Um suspiro
Um gemido;
Um silêncio!
A não precisão de nomes
De endereços
De cepe efes;
E a gente vive do momento
Do que foi e – nunca mais – será
A gente deseja
A gente espera
A gente põe a mão no bolso
E lembra
E busca naquele pedacinho
A imagem e o prazer do que ele foi
A possibilidade do amor feinho de Adélia
O sonho romântico de um amor sem fim
Qualquer coisa
Que sacie a fome
Deste amor que sempre vem.

Una Tristeza Indecente

Mi recuerdo afectuoso y agradecido de Marcella Althaus-Reid
Por Norberto D'Amico

Supongamos que estamos en 1991. La teóloga argentina entra en un departamentito del barrio de Almagro, tapizado de margaritas anaranjadas. Calla ante el empapelado chillón, para dirigirse, atenta, a sus habitantes. “Uy, que lindo!” dice señalando con el gesto unos cajones rústicos de madera encimados con cierta gracia. Si, aquellos que habían contenido la fruta en los mercados y ahora sostienen libros apilados, pequeños cacharros mexicanos y una cruz enorme, negra, de cartón, con un triángulo rosa en el centro, que ya protagonizó su primer enfrentamiento público con la curia católica. “...frente a la Catedral, y detrás de la cruz estaba todo el movimiento...y había mujeres y trans... “ le contamos, asombradísimos.

Años después, el aroma de la fruta y el sexo de las vendedoras de limones en las calles de Buenos Aires, le servirían de inspiración para introducir la obra que tiró, en la cara de los dinosaur…