Postagens

Mostrando postagens de Outubro, 2010

Revisitando Maiakoviski. Ou sobre como o silêncio pode ser mortal.

Queremos casar. Fazemos abortos. Mudamos de sexo.

Amamos viados. Mulheres são nosso ideal.

E, mais que tudo, existimos e resistimos.


Luiz Mello - Pesquisador do Ser-Tão e professor da Universidade Federal de Goiás

Quando adolescente, no final dos anos 70, uma das máximas da resistência ideológica de minha geração era um trecho de poema atribuído ao russo Maiakovski, mas que é de Eduardo Alves da Costa. Intitulado No caminho com Maiakoviski, em um trecho diz assim: “Na primeira noite eles se aproximam / e roubam uma flor / do nosso jardim. / E não dizemos nada. / Na segunda noite, já não se escondem; / pisam as flores, / matam nosso cão, / e não dizemos nada. / Até que um dia, / o mais frágil deles / entra sozinho em nossa casa, / rouba-nos a luz, e, / conhecendo nosso medo, / arranca-nos a voz da garganta. / E já não podemos dizer nada”. Creio que é hora de dizermos:

SOMOS LÉSBICAS, TRAVESTIS, GAYS E TRANSEXUAIS. SOMOS MULHERES E FAZEMOS ABORTOS. REIVINDICAMOS ACESSO IGUALITÁRIO AO CASAMEN…