Para aqueles e aquelas que sobrevivem no amor

Foi minha amante companheira
Que da sua sabedoria que brota
Do caminhar com o povo que sobrevive
Que recebi o ensinamento
- como quem recebe bálsamo para a ferida,
como quem recebe ácido em algodão doce –
“Amor, pra gente, é como pão pro povo
Quando a gente tem um pouco
A gente guarda no bolso
Pra ter depois”
- ou mais ou menos isso –
E assim é:
Uma nesga
Um naco
Uma migalha;
Um olhar
Um toque
Um beijo;
Um momento
Uma fugida
Um encontro;
Uma língua
Um membro
Uma mão, uma perna, um pescoço;
Um sussurro
Um suspiro
Um gemido;
Um silêncio!
A não precisão de nomes
De endereços
De cepe efes;
E a gente vive do momento
Do que foi e – nunca mais – será
A gente deseja
A gente espera
A gente põe a mão no bolso
E lembra
E busca naquele pedacinho
A imagem e o prazer do que ele foi
A possibilidade do amor feinho de Adélia
O sonho romântico de um amor sem fim
Qualquer coisa
Que sacie a fome
Deste amor que sempre vem.

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