Voltando da África do Sul


Como me coube ficar a madrugada do dia 27 de janeiro (quase 7 horas) no aeroporto de Guarulhos, aproveito para compartilhar algumas coisas da minha viagem à África do Sul. Para quem espera relatos e imagens de paisagens não haverá muito que contar ou mostrar. Meus passeios se restringiram do aeroporto de Johanesburgo ao Centro de Retiros Good Shepard e de volta. Ainda assim, há algumas imagens do lugar, muito bonito e acolhedor, apropriado para um “retiro”. Nesse caso, uma conferência, e por isso, a maioria das imagens são de atividades (farei uma postagem específica de pessoas que conheci). Foi uma semana intensa de trabalho, debate, construção para dar um rosto mais definido à Rede Inter-religiosa Global para pessoas de todos os sexos, orientações sexuais, identidades e expressões de gênero (GIN-SSOGIE) – nome definido na primeira Assembleia Geral Anual. Outras informações específicas sobre essa rede ainda darei, mas aproveito para compartilhar que foi eleito como Membro do Comitê Organizador Interino – com mandato até março de 2015 para estruturar essa Rede e coloca-la em movimento. Como se diz em inglês, é uma tarefa muito “excitante” que tem a ver não apenas com o propósito em si, mas com o que vivenciamos nesses dias da Conferência.
Aproximadamente 100 pessoas vindas de todos os cantos do planeta, das mais diversas tradições religiosas e organizações LGBTIQ que trabalham com questões religiosas, com os mais diversos sexos (sim, há mais do que dois), orientações sexuais e identidades e expressões de gênero num único movimento, mas com muitos propósitos. O central, claro, ser um fórum para o debate e a defesa dos direitos sexuais e de gênero a partir de nossas experiências de fé e trabalhando em conjunto com as instituições religiosas e civis. Não há como descrever em palavras ou mesmo imagens o que aconteceu nesses dias. Palavras como encontro, diálogo, partilha, solidariedade, amor, prazer, compaixão, justiça, utopia, sejam algumas que tangenciam a experiência. Nem compartilhar o programa seria o suficiente, porque reflete apenas algumas etapas que foram sendo cumpridas na medida em que uma realidade outra se tornava concreta, palpável, total e radicalmente profética e revolucionária. Gente convivendo e estabelecendo relações de cuidado, afeto, respeito, acolhimento, questionamento, materializando um corpo de relações que se traduz no corpo de cada um/a, no corpo dos/as participantes enquanto comunidade, no corpo de toda forma de vida a nosso redor – com todos os seus conflitos e contradições, e, ainda assim, absolutamente outro.
Os tambores e as danças africanas (mais do que tudo), as danças indianas, os cantos judaicos e muçulmanos, o silêncio e a meditação oriental, a balada pop e as performances irreverentes, tudo junto e misturado a um compromisso com a justiça e a certeza que de é possível mudar o mundo e torna-lo um lugar melhor. Foi o que disse Mehrdad na despedida no aeroporto: “Let’s change the world, right”. Ah, a África do Sul e seus/meus momentos sagrados – os dizíveis e os indizíveis.

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