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Bacharel, Mestre e Doutor em Teologia pela Escola Superior de Teologia (EST). Área de Concentração: Teologia Sistemática. Pesquisador nas áreas de: Estudos Feministas, Teorias de Gênero, Teoria Queer, Masculinidade, Homossexualidade e Diversidade Sexual, na sua relação com Religião e Teologia.

Por uma teologia do (deus)frute

(em construção)

Ah, a fruta...

A maçã que Eva comeu
E Adão também
Que não era maçã
Que não eram Adão e Eva
Mas ficaram sendo
Bendita maçã
Que abre os olhos, dá conhecimento
Mas não é a mesma
Que traz as dores e dissabores
Que faz dormir a branca
As negras e as mulatas
Morenas, pardas, amarelas
Acinzentadas
Verde musgo
Envenenadas maçãs
Nuvens jogadas de um avião
Borrifadores
Tubos de ensaio
Manipulação
A fruta que não é fruta
Substantivo definido, abstrato, artificial
Ideia
Ontologia, metafísica, essência
Verbo intransitivo direto
A outra, a fruta do (des)frutar

Na ponta da agulha da bela
Adormecida
Na ponta da espada, do fuzil, do lápis
Dos dedos que digitam o mundo
Cálculo, lucro, produtividade
Objetividade, neutralidade, ideologia
(Eu quero uma pra viver)
Veneno
Sem altos-relevos
Profundidades
Entrâncias e saliências
As múltiplas e infinitas equações
Cruzamentos, enxertos, abjetos
Des-cobrir a nudez de Noé
Na ponta dos dedos
Com a boca
Com o sexo
Com o corpo todo
A epiderme da alma
Na palma da minha mão
A fruta e o (des)frutar

O verbo se fez fruta, mordida
Excesso
Teu pão, tua comida
Matando a sede na saliva
No suco, no bagaço, na cachaça
Comam! Bebam!
Bota a mesa, bota a cama
Eu como
Eu como
Eu como - você
A antropofagia que nos une
Nos salva
O substantivo que vira verbo
Intransigente
Excessiva exceção
A fruta que (des)fruta

Levanta e anda
No salto agulha dos sapatinhos de cristal
Veneno
Para pisar no coração
Coturno
Sapatilhas de arame
Alparcatas de aço
Plataforma
Pés descalços sem pele
Bundinha de pêssego
O sumo que escorre
Meleca
Cola, gruda, arrepia
Engravida a mata
De pelos do corpo que transpira
Sua e soa de prazer
Seiva, ceifa
Aborta a virgem (que) mata
Interrupção voluntária
Da semente condenada à morte
Concebida nas bolas de cristal
Dos machos resplandecentes
Das indústrias do des-prazer
O (des)frute da fruta

Quero
Um remédio que me dê alegria
Veneno antimonotonia
O (des)frute da fruta que (des)fruta

Me caem bem os adjetivos
Mas só quando fruta
Des-munheco
Des-fruto fruta
Não mais amor e felicidade
Des-frutar
ChuparLamberModer
PegarComerGozar
Indecente
Bagaceira
Ordinária
Sem-vergonha
Desfrutável

Meu corpo no corpo da fruta
A fruta no meu corpo de fruta
O verbo, o sumo, a fruta
(Deus)fruta

Ui! A fruta...


* as notas de rodapé estão cheias de mulheres, trans-viados e outras criaturas estranhas (pelo menos um com cabelos brancos)